quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Vertigem.


Vivo em meio a uma vertigem constante. Uma loucura passageira que não passa. Que confunde minha própria existência. As vezes não sei quem sou, e me perco entre distintas personalidades. Hora sou uma, outrora sou outra. No final das contas, sou sempre a mesma. Mas sempre de uma maneira diferente. Calculando meus pensamento e minhas ações, contendo meus sentimentos e minhas emoções.
Por vezes me vejo como um arco-iris de puro romantismo. Mergulhada em fantasias amorosas, em relacionamentos fantasiosos. Numa utopia muito mais que imaginária. Paralela a aquela em que vivo. Me olho no espelho e vejo uma menina cheia de carinho e de esperança, transbordando amor.
Mas me confundo os pensamentos, troco de personalidade assim como troco de roupa, fecho a cara. Brigo com o mundo. Me revolto com a vida e com os acontecimentos. Viro outra, visto minha máscara que esconde minhas fraquezas. Não revelo meus pensamentos, finjo que estou bem. Confundo mais ainda as pessoas que acham me conhecer, mas que só conhecem uma parte de quem sou. Menina cheia de nuances.
Sou várias, mas também sou apenas uma.


Aninha.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Eu sou música para os dedos.

Eu suponho que minha pele faz melodia, pelo prazer que você sente em tocá-la. Você me olha, me joga, me brinca. Faz um Sol menor em mim. Grita que me adora, berra que me ama. Me bate, me morde, me sufoca de tanto amor. Minha pele é música pros teus dedos. Meu sorriso é inspiração pros teus acordes. E essa partitura só você quem decifra, pois é só você quem me entende. Me rabisca, me alisa, me joga fora. Diz que eu não presto, que sou rascunho de uma canção melhor. Diz que eu sou sinônimo de confusão. Insiste em dizer que sou um instrumento complicado, que minhas notas te confundem, que meus acordes te assustam. Mas volta atrás, sente falta. Tem saudade do som único que minha pele faz quando você a toca. 

 Aninha.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Um sorriso pra um desconhecido.


De repente, você apareceu ali na minha frente segurando a porta do carro e não deixando que eu fosse embora sem dizer meu nome. Com seu sotaque de Minas e com aquela charmosa cicatriz na sobrancelha esquerda, você me disse a coisa mais incrível que alguém que me conhecia a apenas alguns minutos poderia ter me dito. A minha vontade era de sair do carro, deixar tudo pra lá e simplesmente pular nos teus braços mesmo desconhecendo seu sorriso ou seus problemas. Naquele instante foi como se o céu estivesse parado, como se toda minha vida tivesse adquirido sentido. Eu sei que parece clichê, mas você realmente me fez abrir um sorriso que eu quase desconhecia, aquele meu sorriso que eu guardo à 7 chaves, trancado dentro do armário mais seguro que existe dentro de mim, aquele sorriso que poucos já me viram usando, mas que você, um mero desconhecido me fez ter o prazer de usá-lo sem medo algum.
Eu mal sei teu nome, e tenho certeza que nunca te verei de novo. Mas enquanto o que você me disse fizer sentido dentro de mim, vou me lembrar de você, mesmo que nossas vidas nunca mais se cruzem. Porque são momentos assim que eu quero guardar pra sempre. E com toda a certeza, eu quero guardar esse instante só pra mim.


Aninha.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Inocência, carinho, amor.


Eramos como almas gêmeas, que brincavam de esconde-esconde no jardim durante a primavera. Eu sabia exatamente onde você estava, e podia te encontrar com toda a facilidade do mundo. Você dizia que eu estava roubando, gritava dizendo que meus olhos estavam abertos ou que eu estava espreitando por entre os dedos. Eu, por outro lado, contava até dez lentamente e esperava você se esconder entre as árvores. Juro que eu não roubava, apenas sabia pra onde você iria caso eu não estivesse olhando. Era como se o lugar onde você se escondesse brilhasse com toda a força, talvez fosse sua luz própria. Aquela da qual eu sempre tive inveja, lembra? Que todas as noites eu te dizia pela janela do quarto o quanto você era especial? Eu não estava mentindo quando dizia tudo aquilo. Você realmente me fazia sentir como se eu tivesse encontrado a pessoa mais incrível do mundo, e eu agradecia todos os dias por isso quando deitava a cabeça sobre o travesseiro.
Você soltava gargalhadas que contagiavam até a senhora idosa da casa da frente, que te olhava sempre com aquele ar de quem reprende e dizia o quanto você era um moleque bobo que não sabia nada da vida. Minha inocência sempre te surpreendia, e meu olhar sempre te tirava o fôlego. Eu sentia como se eu pudesse ler a nossa história antes mesmo dela ser escrita. Sabia exatamente que nossa amizade ia durar por toda a vida, e que nossas almas se juntariam mesmo quando parássemos de respirar.
Me lembro de todas as suas promessas, de todas as nossas juras com os dedos entrelaçados. Me recordo de todas as risadas inesperadas nos momentos mais inoportunos. Porque você sempre me fazia parecer uma boba, subindo pelas escadas de saia rodada, em quanto você dizia segurá-la pra mim.
E apesar de todas as nossas brigas sem nenhuma explicação, você foi quem eu mais amei durante todos esses anos. E mesmo que eu já tenha gritado que não, naquela vez em que você derrubou cerveja no garoto que me beijava, não era verdade. E sabe como eu sei disso? Porque toda a vez que eu fecho os olhos, nem que seja por um único segundo, a sua imagem invade meus pensamentos. E eu me lembro de todos os teus defeitos e mesmo assim ainda consigo sorrir quando penso em você.


Aninha.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Sentimento falecido.


Me passa o açúcar - disse o amor - adoça esse sentimento, que se dizia tão puro e onipotente, que se dizia tão valente e corajoso, e hoje amarga os corações sinceros que buscam sem mais esperança encontrá-lo. Alegra o olhar desses jovens, implorava o amor. Dá juízo a esse ser humano, que em virtude do sucesso do romantismo - que se anda escasso - declara sem ao menos sentir, e esconde no peito o egocentrismo de amar somente a si mesmo e a aquele que enxerga através do espelho. Impõe discernimento nas palavras dessa nova sociedade, que grita aos quatro ventos que o encontrou. Mas, que na realidade se contenta com o ilusório, o irreal inventado pelo próprio subconsciente que busca em qualquer migalha de carinho ressuscitar o falecido amor. Um brinde aos conservadores que procuram por ele, que era tão presente no dia-a-dia e não somente nas propagandas de refrigerante. Um sentimento tão raro que virou banal entre flertes espirituosos e cheios de vaidade. Que sejam banidas as promessas falsas e os sorrisos forçados, que ecoem os sentimentos sinceros que andam desaparecidos. E que por fim, não exista uma ponte sem volta entre o que éramos e o que nos tornamos.
Que o amor ressuscite.


Aninha.