quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Naufrago utópico.
Numa perfeita utopia encontrei teus passos marcados no chão barrento, que se distanciavam cada vez mais da minha pesada marcha em sua suposta direção. Acreditei piamente em chegar ao fim daquela trilha com sucesso, encontrar talvez em você os pedaços que deixei cair de mim pela longa caminhada. Ofegante, cheguei a canto nenhum. Mas continuei firme e forte esperando sua imagem aparecer como miragem diante dos meus olhos que já se sentiam tão densos e cansados. Esperei minuciosamente qualquer pista, qualquer outra pegada ou migalha jogada pelo caminho. Mas sem que eu pudesse notar me vi perdida do meio daquela imensidão que tentava me apavorar e arrepiava minha pele seca sem piedade. O vento passava depressa pelos escombros e sussurrava-me medo. Mas eu não me sentia só, em momento algum me deixei levar. Seu vulto passava correndo de um canto ao outro, tentando me mostrar o caminho para sair daquela utopia tão magistral. Escorregava entre os galhos secos que vibravam ao som fúnebre das batidas do relógio que marcava meia-noite. Meus gritos eram espasmos perante aquela cena, que na realidade não me transmitia medo ou qualquer outro sentimento que me fizesse suar as mãos que sangravam desesperadamente marcando meu caminho a cada passo torto que eu tentava dar. Eu beirava o esquecimento sob aquela luz opaca que cegava meus olhos lentamente. E depois da espera angustiante e cheia de curiosidade sobre o fim dos meus desejos, beijei a morte sobre uma lamina fria e afiada. Encontrei o que tanto procurava, e agora vivo num sonho eterno.
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