
Um pouco doce, um muito amarga. Um tanto boba, meio rouca, meio torta. Um bocado ingênua, um bastante esperta. Um pouco de todos, um muito de cada. Um pedacinho daqui, um pedacinho dali. Uma colcha de retalhos de personalidades. Esquisita hoje, estranha amanhã. Madura, verde-azulada. Criança, menina-mimada. Aquela que perdeu o dom de persuadir. Moleca, sapeca, sem graça, desgraça. Tudo que toca vira pó. Faz música com o olhar. Vira boneca de pano sem coração. Cria voo-doo e faz mandinga. Tem ciúme da sombra que a segue. É doce, mas também é amarga. Se entrega, espera, faz planos. Machuca-se, corrói, desintegra. Não tem direção para seguir. Grita, fala baixo. Espera o eco responder o seu apelo. Garota, meio louca. Meio menina, meio mulher. Brinca de colecionar decepções. Ela ri, mas também chora. Ela olha, mas não vê. Assusta a criança que mora dentro de si. Bota de castigo, prende na senzala. Nunca toma decisões. Incerta, descrédula, sem opinião. Impetuosa, valente, de bom coração. Moça apaixonada, desejosa de amor. Em busca da luz própria. Corre atrás da luz no fim do túnel. Não tem medo do trem.
Aninha
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