segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Um Adeus qualquer.


Enquanto a luz do quarto pisca devagar, meus olhos cansados descansam por segundos. Na escrivaninha, as folhas amarelas cheias de rabiscos dançam com o vento que entra pela janela aberta. Minhas costas doem enquanto meus pés balançam freneticamente num ritmo constante, e, sem que eu possa perceber continuo com o ziguezague por horas. Estralo meu punho esquerdo e levanto tão rápido que quase ouso cair. Meus olhos pesam, minhas pernas não me obedecem mais. Caminho lentamente até a varanda, onde as rosas vermelhas maltratadas gritam por socorro, mas sem pena finjo que não as vejo ali. Lá fora, bailarinos encantam multidões com seus rodopios perfeitamente sincronizados. Amigos se abraçam, casais se acariciam. Quase da pra ver os corações formados ao redor dos apaixonados. Continuo ali, anestesiada pela brisa fria e pelo cheiro de terra molhada. Esfrego os braços na esperança de me aquecer sozinha. Escuto no fim da rua gatos brigando, panelas batendo, pessoas chamando por atenção. Olho ao redor. 
O mundo continua. Minha vida continua. 
Saio da varanda com um pensamento inoportuno. Dos meus olhos saem lágrimas que não sei de onde vêm. Caminho depressa até o quarto. Sufoco a cabeça sob o travesseiro na esperança de não escutar meus pensamentos. Tentativa em vão. Olho ao redor. Estou completamente sozinha, na companhia de milhões de frases gravadas na memória dos livros de auto-ajuda que li e reli por toda a semana. Balanço a cabeça como quem espanta os pensamentos. Corro ao chuveiro, na expectativa de afogar meu choro, de lavar minha alma. Mais uma tentativa falha. Enxugo as lágrimas. Engulo o choro. Molhada deixo meus últimos passos marcados no chão, no percurso até a cozinha. Respiro fundo. Ligo o gás. Tranco a porta. Puxo uma cadeira. Adormeço sem perceber e não acordo mais.
O mundo continua. Minha vida não.

1/2 sem você.


Éramos dois adolescentes rindo ao acaso. Gargalhando da cara do destino que tanto nos sacaneava. Formávamos um belo casal. Os dois contribuindo parcialmente para uma esquisitice completa. Tínhamos nos olhos algo indecifrável, alguma coisa que nos fazia conectar e sentir a mesma coisa. Você, tinha nas mãos o poder de me mudar. Ao seu lado o mundo ficava pequeno, os olhares alheios não doíam, as pessoas tornavam-se menos assustadoras e eu perdia o medo do mundo. Era como se o seu abraço formasse em minha volta um escudo dourado, como se o seu corpo me fortalecesse. 
As vezes, eu não sabia se tinha mais saudade de você ou de como eu me sentia ao seu lado. Você era especial. Especial de uma forma especial. Tá me entendendo? Você me trazia luz, alegria. Você trazia o melhor de mim, você queria o melhor de mim. Esse nosso destino/acaso/consequência esperou o tempo certo pra fazer dar certo. Mas, não importa se éramos certos do jeito errado ou completamente errados do jeito mais certo do mundo. 
Era exatamente assim que eu gostava que fosse.
É exatamente assim que eu espero que sejamos.