terça-feira, 28 de junho de 2011

Num dia qualquer, talvez.


E eu olhava pra ele, e ele olhava pra mim. O silêncio era a base da nossa conversa. Eu gostava, aparentemente ele também. Ele me fazia bem, aparentemente eu fazia bem a ele. Num dia qualquer vou descobrir que me apaixonei, talvez pelo seu olhar, pelo seu cheiro, ou até por alguma conversa boba que tivemos e eu ri sem nenhum tipo de explicação racional. Se eu amei? Não sei. Mas talvez eu tenha a certeza de que amo, talvez eu possa amar... mas só talvez. Talvez num dia qualquer, eu nem o reconheça mais, nem ele a mim. Mas enquanto isso, estamos bem. Do jeito que estamos, e da forma como nos conquistamos.


Aninha.

domingo, 26 de junho de 2011

Seja como você é, assim.


As coisas começam, duram (ou não) e terminam. Assim como um ciclo. Ninguém é o mesmo depois do fim de algo. As pessoas mudam, se reciclam, melhoram ou pioram. Mas não continuam as mesmas, nunca. Mudança é a lei da vida, ninguém volta a ser o que já foi. Nem querendo, nem tentando. Não tem essa de ''O culpado é você''. Ninguém fica preso ao passado, todo mundo se faz de coitadinho. Mas o segredo é se permitir, você tem que se permitir. Permitir se apaixonar de novo, gostar de novo, rir de novo. Viver, amar, sorrir, cantar, dançar. Praticar os verbos. Falar em voz alta e em bom tom: Passou. E agora já era, já se foi. Deixei pra trás, enterrei. Esse é meu novo jardim, com novas flores, algumas morreram, mas nascerão algumas mais bonitas em breve. - Esse é o segredo: Não corra atrás. Seja você mesmo que aparecerá, seja o que for.


Aninha.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

6 de abril.


Como foi que você fez? Me enfeitiçou. Era algo no teu sorriso doce e tranquilo, talvez aquela marquinha na sua bochecha esquerda me fizesse rir como ninguém. Não sei. Era algo em você, no seu jeito de ser. Talvez seu perfume me anestesiasse, me fizesse entrar num mundo paralelo onde só existissem você e eu. Era tudo legal ao seu lado, até os tapas não doíam quando vinham de você. A vida parecia fazer sentido... o mundo era mais colorido.
Foi aí que alguma coisa aconteceu, senti sua voz ficar diferente. Seus abraços pararam de me proteger. A confiança sumiu, e meu olhar estava furioso. Os dias se passaram, as conversas ficaram escassas. Da minha parte surgiu nojo, da sua eu nem sei... Parece que foi ontem que nossas lagrimas rolaram, e essa data já fez aniversário. Como preencher o vazio que você deixou em mim? Naquela época eu não sabia responder. Achei que ia durar para sempre, mas as coisas passam. Os sentimentos acabam ou simplesmente mudam. O meu jardim voltou a florescer, o seu também. O meu mundo voltou a ter mais cor, o seu também. Talvez o seu coração tivesse voltado a bater antes do meu. Mas de que importa? O importante é que nenhum dos dois se congelou no tempo, nenhum agora vive de passado. As coisas mudam, como um ciclo. As vezes voltam pro mesmo lugar de onde pararam, ou simplesmente continuam em frente. Mas ninguém sabe o que destino reserva pra gente.

Aninha.

terça-feira, 21 de junho de 2011

O amor pode acordar.


Eu soube que a calma não acalma, e que os gritos que eu buscava ouvir se calavam no eco das paredes riscadas do meu quarto.
Afundei nas cobertas e abracei os travesseiros. Eu queria ser o que eu não era, mas não convenceria ninguém se não convencesse a mim mesma.
Rabisquei palavras aleatórias em uma folha branca. Percebi que as palavras que risquei eram aquilo que eu sentia, aquilo que eu queria, e aquilo que eu seria.
Continuei ali, anestesiada... observando a movimentação da poeira que voava em frente aos meus olhos. Queria preencher o eu que faltava, completar em mim o vazio que existia. Eu não sabia como, nem sabia pra onde olhar, nem em que direção seguir. Mas eu sabia que pior seria se eu ficasse ali, sozinha, sofrendo de remorso por algo que eu só eu entendia.


Aninha.

Entre dois corações um pretexto.





Entre dois corações, uma distância que separa uma batida de um ritmo perfeito.
Eramos duas almas destinadas a ficar juntas, eramos como uma rosa cheia de espinhos, nós eramos um só. Nossas risadas eram longas, nossos olhares eram quentes. Mas então veio aquela que acabou com nossa alegria... veio as milhas de distancia do amor. Era incrível a saudade!
Mas eu sabia que não podia ficar assim, que tudo ia sumir por si só. Eu queria mais, eu queria desejo, eu queria toque. Queria sentir ele nas manhãs de domingo.
Nós eramos jovens e estávamos tão distantes. Nós eramos apaixonados, por nós mesmos e um pelo outro. Tínhamos um só coração, uma só batida, um só ritmo, uma só melodia que nos envolvia por completo. Eu queria ele, e ele me queria. Ele dizia que o amor era belo. Eu concordava. Até que um dia nossas vozes se calaram, nossos corações esfriaram.
Nossas risadas não eram longas, nem tampouco nossos olhares estavam quentes.
Ele dizia não ter novidades, mas eu sabia que a noticia era a desistência da essência.
Nossas ligações agora duravam pouco. Nossas despedidas eram breves.
O telefone parou de tocar. Meu coração agora batia levemente... o dele também.
Mas o dele voltou a acelerar antes do meu. Me doeu olhar de longe os olhos dele brilharem por outra, mas passou. Meu olhar se encantou com outros olhos, meus lábios se tocaram com os de outro alguém. E nossos caminhos se distanciaram, estávamos andando em paralelas, numa trilha de pedras desconhecidas, de árvores não tão calorosas... Mas estávamos bem.


Aninha.


segunda-feira, 20 de junho de 2011

E assim choveu...


A primeira gota caiu na ponta do nariz, e o pingo frio me fez ouriçar os pelos do braço.
Corremos pra nos proteger dos fios de água.
Senti algo diferente do que já havia sentido por você quando te olhei naquele instante.
Estremeci, fraquejei.
Sonhei acordada por um longo minuto.
Fingi ouvir você sussurrar palavras.
Continuei te fitando.
Você me perguntou o que tinha acontecido, e como se costume disse talvez.
Bem que aquela chuva podia ser a flecha do cupido.
Imaginei acordada como seria se assim fosse... mas, continuei imóvel ali.
Mesmo sem me mexer, meus olhos vibravam. Seria alegria de enxergar o futuro?
Talvez sim, talvez não.


Aninha.

domingo, 19 de junho de 2011

Lagrimas que tardam a cair.

Eu durmo sozinha, enquanto não sei onde você está. Eu leio minhas escritas e me afundo em esperança. Eu sonho alto, mas caio com os pés no chão. Reparo em pequenos detalhes e esqueço de momentos importantes. Espero ansiosa e com um sorriso no rosto o arrebol de todas as manhãs e fins de tardes. Madrugo no silêncio. Eu sou só mais uma menina que não sabe o que saber. Aquela que conta as estrelas e se perde na imensidão das mesmas... Mas, eu sempre soube que se olhasse fixamente para o céu, alguma hora veria o que eu estava procurando, talvez não tão claramente como eu queria que fosse, talvez alguma nuvem me fizesse sonhar, sorrir ou estremecer. Talvez a aurora não fosse tão bonita vista da minha janela, mas olhar pro céu me deixava em paz, me transmitia algum tipo de sossego e calmaria... E por algum motivo que não sei, minhas lagrimas tardavam a cair. Não me identificava com o sol, minha alegria era a noite. Talvez porque eu gostasse do mistério e da frieza do meu olhar quando a lua me iluminava.

Aninha.

Sarcasmo e mistério.


Hoje eu só preciso da minha velha risada irônica pra me fazer melhor. Não preciso de abraços falsos, nem de promessas feitas e desperdiçadas. Preciso do meu humor maléfico que me deixa feliz mesmo na tristeza. Preciso de amigos que me façam rir da desgraça alheia, porque rir dá própria desgraça não tem graça. Preciso de um litro de vodka, dois cubos de gelo e uma porção de risadas. Quero sentir a alegria brotar no meu olhar, só hoje. Quero apertos de mãos fortes que me façam formigar, olhares penetrantes e sorrisos tortos. Quero brisar na noite como se eu fosse leve e sem preocupações, e me deixar levar com o vento. De que adianta risos perfeitos e olhares sedutores sem aquela velha dose de sarcasmo e mistério. Deixe-me penetrar no seu olhar com minha falta se sutileza, deixa eu tropeçar nos meus defeitos e fazer você sorrir.

Aninha.

domingo, 12 de junho de 2011

Não é assim tão perceptível.


É visível no meu olhar o amor, mas não é assim tão perceptível como antes. Ainda sinto aquele frio na espinha quando te vejo por perto, mas não é mais o mesmo arrepio, ele é mais vagaroso, mais sutil e mais breve. Me senti viva de novo quando nosso ultimo beijo foi selado, e me fez lembrar os beijos apaixonados que demos e que agora ficam só na memória.
Eu percebi que você estaria ali o tempo todo, com o seu mesmo olhar, com o seu mesmo cheiro de sempre, que antes me envolvia por inteiro e que agora é só mais um perfume como tantos outros. Eu sabia que eu queria ser diferente, sentir novas sensações, vibrar com novos olhares, me arrepiar com outros ares, viver mais, me entregar mais, me preocupar menos.
Quando foi que eu fui vendada e me botaram essa viseira que me fazia olhar só pra você? Obrigada, estou livre de volta. E agora enxergo o mundo com mais cor.


Aninha.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Será doce.


Deixa eu mimar você.
Deixa eu cobrir seus pés pra os espinhos das rosas não te ferirem nesse jardim que não é só amor.
Não sou poeta, não.
Só quero o melhor pra alguém que amei.
Deixa eu te cobrir de pétalas com todo meu carinho.
Deixa eu te fazer sorrir com sabor de grama e vinho.
Não sei como rimar, não sei onde quero chegar. Quero você, você, você.
Alguém ai que me espere como espero a ti.
Deixa eu te cheirar, sentir o cheiro de musgo colado no teu cabelo daquela noite sem luar.
Deixa eu te abraçar, apertar seus braços com minha força indefinida.
Deixa eu contar a história que sonhei sobre nós dois, éramos jovens e apaixonados.
Me deixa abrir os olhos e descobrir...
Descobrir tua essência, teu sabor.
Será doce, que esse teu cheiro me transmite paz.


Aninha.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Pânico.


Me vi ali, parada, sem qualquer tipo de movimento. Não conseguia ouvir nem falar, só sentia aquela dor imensa anestesiando todo meu rosto. Foi quando senti aquele liquido quente escorrer pela minha face, entrei em pânico. O que estava acontecendo? Não conseguia pensar direito, minhas mãos tremiam e todo meu corpo estava em choque. Pra onde ir? O que fazer? Foi assim que dois anjos apareceram e abriram meus olhos. Eu conseguia ver de novo, sentir, falar. Mas a dor continuava ali, ilesa. Ela não passava, não queria ir embora. Mas quando abri meu velho sorriso, como quem tem medo do escuro, ela se foi. Como era bom me sentir viva de novo.


Aninha.