terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Fim de jogo.


O que será isso que me tornei? Mãos geladas, coração vazio. Sinto dentro de mim algo pulsando. Eu sei que ainda há salvação. Quem olha fixamente em meus olhos, ainda deveria conseguir sentir. Não é capaz que seja assim. Sentimentos não evaporam, corações não explodem e sorrisos não se apagam. Quem foi que fez as regras desse jogo? Eu desejo sair. Eu quero pausar antes que eu perca toda a bondade. Eu quero deixar tudo como está, antes que tudo se acabe. Eu sei que tem volta, não é possível que não haja volta. Quem pode me ajudar agora? Fui eu quem quis entrar nesse jogo, mas ninguém me mostrou as regras antes. Eu juro que não sei jogar assim. Vou perder o que tenho de mais precioso, e eu nem se quer apostei ele aqui. Por favor, me deixe sair antes do fim disso tudo. Eu não quero continuar observando. Essa platéia me rasga a pele com esse olhar furioso. Eles não tem compaixão. Querem ver mesmo tudo pegar fogo. Eu sei que já brinquei com fogo, mas eu tenho medo de me queimar também. Esse público que ri de tudo, me transmite medo. Gargalhadas me sufocam o pensamento. Pra onde foi todo mundo que jogava comigo? Eu não quero mais jogar sozinha. Isso tudo me arrepia a pele e me quebra os ossos. Não enxergo mais com meus próprios olhos. Não me sinto mais como antes. Eu só quero voltar pra casa, botar meus pés no chão. Deixar o vento bagunçar meu penteado. Tirar os troféus da estante e polir esse meu novo coração. Porque todo mundo sabe que no fim do jogo, a rainha e o peão voltam pra mesma caixa.


Aninha.

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