
Era fim de tarde, nossos corpos se aqueciam entre os lençóis. Seus olhos me fitavam com paciência e suas mãos escorregavam pelo meu corpo como se já o conhecesse. Ele tentava me passar segurança, tentava me fazer confiar em seus planos. Sussurrava em meu ouvido o que eu gostaria de ouvir. Era um completo cavalheiro, ele sabia exatamente o que me dizer. E ele sorria pra mim, e tinha um sorriso assustadoramente lindo, daqueles de tirar o folego de qualquer pessoa. Sua barba roçava em minha pele e me fazia arrepiar. Ele dizia o quão romântico era o fim da tarde, e apesar de eu mal o conhecer, eu confiava plenamente nele. Eu olhava pela janela, respirava fundo e enxergava o lindo arrebol que estava fazendo. O olhar dele estava tranquilo, seus batimentos aparentemente normais, seus braços me envolviam, e, seus beijos me acalmavam. Eu estava completamente entregue a ele, mas ele ainda não sabia disso. Ainda tentava me mostrar o melhor do mundo e me contava das suas histórias. Me mantinha segura do que eu estava fazendo e me parecia seguro do que estava dizendo. Ele era só um breve amor de verão, daqueles que a gente lembra pra aquecer o inverno. Seu jeito era encantador, e sua beleza unica. Se parecia com algum ator de novela qualquer que minha memória se recusava em lembrar. Por algum motivo, meu coração aquecia ao lado dele. E quando nossos olhares se cruzavam eu podia sentir sua alma.
Ali, naquele momento, eu senti que podia ser qualquer coisa. Que ele jamais iria me julgar por qualquer besteira que eu fizesse. E por um único segundo, eu me senti completa. Mesmo estando ao lado de um quase desconhecido.
Aninha.
Nenhum comentário:
Postar um comentário