sexta-feira, 25 de maio de 2012
Vai-e-vem
Pode ser que de manhã ele acorde com uma preguiça danada da vida e se lembre de mim. Que durante o banho frio ele recorde da chuva que já tomamos juntos no final daquele mês em que estamos tão felizes. Talvez, durante o café-da-manhã ele olhe pro relógio, sinta o cheiro da chuva lá fora e ria sozinho, espontaneamente, lembrando que eu jamais estaria acordada àquela hora. Pode ser que nesse exato momento ele esteja em algum lugar, sozinho ou acompanhado, sentindo o vento bater em seu pescoço e relembrando tudo que já fomos um pro outro. Ou talvez ele só esteja com alguém dispersando minha memória ou as reinventando.
Durante esse mesmo segundo em que escrevo, ele pode estar revirando desesperadamente as gavetas do armário em busca das nossas fotos que eram tão sinceras e transpareciam amor. Ou talvez esteja chorando na varanda quente, observando o vai-e-vem das pessoas que se dizem sempre tão apressadas. Pode ser que ele ainda sinta minha falta, mas que assim como eu, prefira guardar suas mágoas e suas emoções em silêncio. Pode ser também que ele não se lembre mais de mim, ou quem sabe, por ironia do destino ele possa estar pensando em mim agora.
De alguma forma, acho que estamos conectados. Mas pode ser que só eu pense nele, que só eu sinta sua falta. Que só eu revire minha caixa-de-recordações em busca de fotos que me façam chorar calada. Ou que só eu relembre das competições esquisitas, e das brigas que sempre tivemos. Talvez, só eu, ache que ele faz falta.
Mas pode ser que em alguns anos a gente se encontre, e eu conte a ele todas as minhas lembranças. Talvez a gente vá rir junto, ou chorar junto. Ou talvez a gente nunca mais se encontre. Pode ser que a gente passe a lua-de-mel em algum lugar bonito e tranquilo, que eu deite em seu colo e me sinta protegida de novo. Ou que a gente nem seja convidado para o casamento um do outro. Afinal, a gente nunca sabe o que o destino reserva pra gente.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário