quinta-feira, 28 de junho de 2012
(100) Sem flores de papel.
Velha amiga e nada querida insônia. Mais uma vez, eu aqui sofrendo desse mal que leva minha alma pouco-a-pouco como uma droga em que ainda não me viciei. As horas passam e não levam com ela meu cansaço, deixando que ele corroa todos os ossos do meu corpo lentamente, um-a-um de um modo vicioso, como quem traga um cigarro e se fascina com o cheiro da fumaça. Os olhos ardem, a temperatura do meu corpo cai, não sei mais me concentrar em nada. Não tenho nada em que possa me distrair e meu humor já não é mais o mesmo. Procuro diversão em tudo e acho em nada. Só consigo me lembrar de nós, da nossa história. Perco meu tempo relembrando nosso passado, nosso presente. Das nossas brigas que já fazem parte de quem somos. Desse loop eterno de estamos-bem, estamos-mal que já não me abala mais, que eu já nem ligo mais. Pois nós dois sabemos que somos bem mais do que isso, que vivemos no meio de um emaranhado enorme que nos cerca até o pescoço, e quanto mais tentamos nos desfazer de nós mesmos, nos unimos mais. Como quem tenta fugir da própria morte, como quem luta para não se afogar no meio de um oceano frio e vazio. Relutando contra a sorte, talvez até contra o próprio destino. Totalmente em vão. Porque nós sabemos que não existe saída quando um de nós não quer ir embora, que não existe fim sem que os dois digam adeus. E tudo vai continuar igual, do mesmo modo que deixamos quando fingimos ir, quando fingimos não ligar e não nos importar com nada. Pois falta um pouco de mim quando não tenho um pouco de você. Me falta coragem, me falta amor, sentimento. Aquela pitada de doçura que eu sempre me gabei por possuir. E sem você me brota o arrependimento, o remorso constante de ter te deixado ir embora sem lutar, sem pestanejar, sem nem olhar para trás porquê eu sabia que no fim minha alma só iria sossegar com a tua, e que a tua alma só sossegaria com a minha também. Porque no meio desse vicio todo, dessa guerra toda entre o que eu e a maioria representamos a você, sabemos que eu sempre ganho a batalha. Que no fim da noite é sob os meus braços que você deseja estar. E quando você sussurra boa noite, seu sorriso se entristece, porque o vazio da sua cama meu corpo deveria esquentar.
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