sábado, 15 de setembro de 2012

Tic/tac.

Meus pés balançam incontrolavelmente junto com minhas mãos que suam devagar. O tic-tac do relógio assemelha-se com uma navalha que perfura meu tímpano e tenta me ensurdecer. Me sinto como uma bailarina quebrada dentro de uma caixinha de música, rodando freneticamente sem ir a canto algum. A vontade de pisar em você, como quem pisa numa ponta de cigarro para apagá-la, se diz cada vez mais nítida no meu consciente. Não consigo mais abafar o som dos gritos no travesseiro surrado. Olho pro espelho procurando encontrar uma resposta através daquela imagem imperfeita, mas acabo criando ainda mais dúvidas e incertezas perante minhas perguntas. Jogada sob o assoalho, reviro os olhos para os pensamentos inoportunos e me sinto frágil e fria, como uma porcelana esquecida no porão de uma casa antiga. O sangue sobe pelas orelhas e se concentra nas maçãs do rosto que agora esfriam devagar, minhas mãos se acalmam e cruzo os dedos, na esperança de tudo voltar a ser como antes. Antes de eu ter conhecido você.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

(Mal) Bem-me-quer.

Ando desatenta pelas ruas quentes e abafadas da cidade que escolhi para viver. Meus braços balançam despreocupadamente, ziguezagueando de um canto ao outro num ritmo constante. Meu rosto ainda arde quando o encosto, fazendo-me lembrar de como consegui o hematoma sobre o cílio esquerdo, e coro imediatamente com a lembrança que me vem a mente. Continuo andando, desajeitada de um jeito semelhante ao seu, tropeço algumas poucas vezes mas continuo em pé, firme, sonhando acordada em quando te verei novamente. Sem que eu possa perceber minhas mãos suam num ritmo desenfreado, minhas pernas ficam moles feito gelatina de morango e minha respiração sente o cheiro das flores pairando no ar. De um jeito atrevido, impetuoso, abro um sorriso largo e arranco despretensiosamente algumas daquelas flores. Passeio saltitando com meu ramo em mãos. Pisco duas vezes e fecho os olhos, numa tentativa frustrada de sintonizar-me em nossa marcha nupcial, mas sou interrompida pelo som alto de uma buzina de caminhão. Continuo andando, agora um pouco mais depressa. Começo meu jogo de bem-me-quer/mal-me-quer, e para a minha felicidade, você me quer bem. Ah amor, acho que fomos feitos um para o outro.