sábado, 15 de setembro de 2012
Tic/tac.
Meus pés balançam incontrolavelmente junto com minhas mãos que suam devagar. O tic-tac do relógio assemelha-se com uma navalha que perfura meu tímpano e tenta me ensurdecer. Me sinto como uma bailarina quebrada dentro de uma caixinha de música, rodando freneticamente sem ir a canto algum. A vontade de pisar em você, como quem pisa numa ponta de cigarro para apagá-la, se diz cada vez mais nítida no meu consciente. Não consigo mais abafar o som dos gritos no travesseiro surrado. Olho pro espelho procurando encontrar uma resposta através daquela imagem imperfeita, mas acabo criando ainda mais dúvidas e incertezas perante minhas perguntas. Jogada sob o assoalho, reviro os olhos para os pensamentos inoportunos e me sinto frágil e fria, como uma porcelana esquecida no porão de uma casa antiga. O sangue sobe pelas orelhas e se concentra nas maçãs do rosto que agora esfriam devagar, minhas mãos se acalmam e cruzo os dedos, na esperança de tudo voltar a ser como antes. Antes de eu ter conhecido você.
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