sábado, 13 de agosto de 2011

Gastando a voz com sussurros.


O que me fez mudar eu não sei. Eu só sei que mudei. Num dia qualquer me olhei no espelho e vi que estava diferente daquilo que já fui. Não só por fora, talvez nem tanto por fora. Por dentro. Eu não era mais a menininha ingenua que sempre fui, nem a garotinha meiga que fazia bico por qualquer motivo. Agora eu me sentia mais forte, porém, mais fria. Trocava meus sonhos por noites impetuosas. Gastava minha voz com sussurros. Distribuía olhares a desconhecidos. Vagava pela noite buscando por almas quentes que aquecessem por minutos a minha. Esquecia dos planos que já tinha feito, e das promessas que não foram cumpridas. Escondia minhas memórias. Relembrava mágoas do passado sem derramar nenhuma lágrima. Filtrava só as coisas boas e esquecia que as ruins me rodeavam. Pensava em nada e em tudo, eu só queria paz. Me libertar como uma gaivota e seguir num mar profundo de emoções a serem exploradas. Me desacorrentar daquele peso que me afundava a cada dia. Mas a chave da minha liberdade estava cravada com sangue em algum lugar do meu corpo que eu não sentia mais bater. Com o tempo o que me fazia congelar era meu querido coração, que se esfriava com todas as manhãs de domingo sem sol que passavam. Eu não queria me tornar assim. É difícil fazer voltar a bater o que já nem se quer sabe se existe. Mas nada é por acaso, ou talvez seja. Eu não sei que rumo seguir nem que direção me levar. Eu só sei que o caminho mais longo é a jornada em que não posso falhar de jeito nenhum, e que as poças com lágrimas evaporarão com o aquecimento desse caminho, o sol voltará a brilhar de um jeito só dele. E meu sorriso consequentemente vai brilhar também.

Aninha.

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