quinta-feira, 28 de julho de 2011

Incertezas de um vida já vivida.


Não estava tão escuro quanto eu achei que seria. Minhas feridas se cicatrizavam com uma rapidez inesperada. Meus cortes que antes eram profundos e dolorosos agora não passavam de pequenos arranhões, que com o passar do tempo iriam sumir para sempre. Talvez um ou outro deixasse alguma marquinha que quando eu encostasse doesse, mas, nada de tão grave quanto eu esperava que seria. Minhas lágrimas, minhas dores, meus pecados, seriam eternamente cravados em alguma tábua de madeira e jogados ao mar. Todos meus defeitos sumiriam, e eu, assim como nenhum ser humano é capaz de ser perfeito, sumiria junto a eles. Então de que me adiantava querer o total e completamente puro? Eu teria que ser as vezes suja pra me tornar ser. Ser este, capaz de se tornar alguém... Alguém tão inocente em seus defeitos que o sujo não parecia tão diferente do puro. E assim meus erros não seriam igualmente proporcionais aos meu acertos, pois pra mim, os defeitos seriam poucos. Talvez culpa da minha ingenuidade de criança e dos meus olhos que teimavam em querer ver só o lado positivo das coisas. Ou não. Não sei, só sei que eu não iria afundar ali mesmo, meus pulmões ainda estavam cheios de ar, talvez o ar estivesse um pouco poluído, mas de que importa? Eu só sei que eu não queria afundar. Mas eu ainda pensava nas consequências, por um momento quase não consegui abrir os olhos.... Não sabia se era melhor eu me agarrar naquela tábua, recheada de defeitos e flutuar, ou simplesmente afundar nas lágrimas das minhas mágoas. Eu me senti perdida, tudo bem que eu estava numa imensidão não tão escura quando eu pensava que seria. Mas mesmo assim, nada me fazia bem, nada me fazia querer reagir. Eu estava aos prantos, na dúvida entre a vida e a morte. Mas foi ai que eu arregalei meus olhos, observei o sol secar as lagrimas que eu derramava sobre meu braço. Senti o calor penetrando minha pele e me queimando lentamente. Por um momento de fraqueza quase optei pelo caminho mais fácil. Não sei o que se passou pela minha cabeça naquele instante, eu só sei que, naquele momento, no momento em que os raios de sol secavam meu rosto, eu me senti aquecida, protegida, confortável... E meu sorriso, que há muito tempo não aparecia, apareceu... Iluminando minha face. Percebi que tudo que eu precisava, era me sentir assim de novo, pois há muito tempo eu não me sentia. Aquilo me fazia falta e me fazia bem. Lembrei então de momentos em que eu fui feliz, em que meu sorriso aparecia com frequência, e me recordei vagamente de ter em meu coração algo que eu não conseguia decifrar. Mas que com o passar do tempo se extinguiu... Eu só sabia, que naquele lugar, onde um buraco enorme tinha se expandido, ali... exatamente ali, ficava um sentimento puro e inocente. E tudo que eu queria, era tê-lo de volta aquecendo meu coração.

Aninha.

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